segunda-feira, 9 de setembro de 2013

maldição na madrugada,
desespero na alvorada.
desencanto na caminhada,
morte na chegada.

Alívio na derrocada.




malditos os dias
terríveis as noites
pensamentos atrozes
que passem os dias.
casa mal assombrada
vida mal assombrada
de dia delírios de vida
à noite perdidos os dias.


existência maldita
delírios de dia
fantasmas à noite
melancolia nauseante
nostalgia constante.





casa mal assombrada
vida abandonada
de dia alma penada
à noite alma perdida

fantasma no canto
desespero e pranto
casa maldita,
vida vazia


lingua ferina, tarde vadia.


tempo vasto
energia finita
vontade efêmera:
letargia.
casa mal assombrada
vida mal assombrada
de dia alma penada
à noite alma perdida

sábado, 16 de março de 2013

ABOBORAS PESSOAIS OU "O BLOG DO FRACASSO"


Da primeira postagem até hoje pouca coisa mudou, e o que mudou foi, na média, para pior - bem pior.
Foi mais tempo perdido, mais álcool, menos comida, mais destruição, menos construção, quase sem novas amizades, quase cem amizades perdidas, pouca cultura útil, pouca cultura inútil, pouco dinheiro para muita dívida, muito remédio para pouco uso, muita energia para pouco uso.
Inventário: ela deixou um carro batido e alienado, um som antigo que não era dela, uma televisão grande que sobrou de um hotel, um sofá todo rasgado, manchado e com um pé quebrado, uma poltrona infestada de cupim, um piano abandonado, um DVD doado, um microondas queimado, um fogão enferrujado, uma casinha de cachorro com o teto caindo, uma mesa de bar e quatro bancos com os pés descascados, um abajur alto todo torto, uma mesa vagabunda de cozinha com duas cadeiras toda mal cuidada, uns cinco ou seis jogos de lençóis totalmente manchados, uma dívida monstruosa no banco construída diariamente de álcool e irresponsabilidade, toalhas e roupas maltratadas, pertences pessoais relaxados, uma vontade de viver que dura só para poder beber, um martírio constante, uma culpa constante, uma consciência inconsciente constante, um remorso constante, um mal estar constante, uma impotência constante, uma postura equivocada constante, um proceder instável, uma mente errante, uma vontade delirante, uma esperança patética, uma espera incessante e não admitida de salvação, um desejo latente de redenção sem esforço e dedicação.
Eu destruo o degrau para depois pisá-lo. Eu estrago a ponte para depois atravessa-la. Eu arranco os cabelos para depois me arrumar para a festa. Eu furo os pneus do carro na véspera da viagem. Eu espero a comida estragar para fazer o jantar. Eu estrago tudo o que fica ao meu redor. As coisas perecem pela minha negligência, pelo meu desinteresse, pela minha indiferença.