domingo, 5 de maio de 2019

Pouco mudou, tudo piorou, eu emburreci, sucumbi, não me reconheço mais. Espectro de mim mesma. Uma triste figura que mal se mantém em pé, tem vergonha do nada que a inunda, da inércia na qual afunda, ódio de si mesma por que não luta.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

maldição na madrugada,
desespero na alvorada.
desencanto na caminhada,
morte na chegada.

Alívio na derrocada.




malditos os dias
terríveis as noites
pensamentos atrozes
que passem os dias.
casa mal assombrada
vida mal assombrada
de dia delírios de vida
à noite perdidos os dias.


existência maldita
delírios de dia
fantasmas à noite
melancolia nauseante
nostalgia constante.





casa mal assombrada
vida abandonada
de dia alma penada
à noite alma perdida

fantasma no canto
desespero e pranto
casa maldita,
vida vazia


lingua ferina, tarde vadia.


tempo vasto
energia finita
vontade efêmera:
letargia.
casa mal assombrada
vida mal assombrada
de dia alma penada
à noite alma perdida

sábado, 16 de março de 2013

ABOBORAS PESSOAIS OU "O BLOG DO FRACASSO"


Da primeira postagem até hoje pouca coisa mudou, e o que mudou foi, na média, para pior - bem pior.
Foi mais tempo perdido, mais álcool, menos comida, mais destruição, menos construção, quase sem novas amizades, quase cem amizades perdidas, pouca cultura útil, pouca cultura inútil, pouco dinheiro para muita dívida, muito remédio para pouco uso, muita energia para pouco uso.
Inventário: ela deixou um carro batido e alienado, um som antigo que não era dela, uma televisão grande que sobrou de um hotel, um sofá todo rasgado, manchado e com um pé quebrado, uma poltrona infestada de cupim, um piano abandonado, um DVD doado, um microondas queimado, um fogão enferrujado, uma casinha de cachorro com o teto caindo, uma mesa de bar e quatro bancos com os pés descascados, um abajur alto todo torto, uma mesa vagabunda de cozinha com duas cadeiras toda mal cuidada, uns cinco ou seis jogos de lençóis totalmente manchados, uma dívida monstruosa no banco construída diariamente de álcool e irresponsabilidade, toalhas e roupas maltratadas, pertences pessoais relaxados, uma vontade de viver que dura só para poder beber, um martírio constante, uma culpa constante, uma consciência inconsciente constante, um remorso constante, um mal estar constante, uma impotência constante, uma postura equivocada constante, um proceder instável, uma mente errante, uma vontade delirante, uma esperança patética, uma espera incessante e não admitida de salvação, um desejo latente de redenção sem esforço e dedicação.
Eu destruo o degrau para depois pisá-lo. Eu estrago a ponte para depois atravessa-la. Eu arranco os cabelos para depois me arrumar para a festa. Eu furo os pneus do carro na véspera da viagem. Eu espero a comida estragar para fazer o jantar. Eu estrago tudo o que fica ao meu redor. As coisas perecem pela minha negligência, pelo meu desinteresse, pela minha indiferença.

terça-feira, 20 de março de 2012

e se tudo estiver errado, muito errado?

E se tudo o que eu achava certo se revelar muito errado?
E se tudo o que fiz de caso pensado se mostrar totalmente equivocado?
E se tudo sobre o qual pensei duas vezes se apresentar muito errado?
E se tudo o que fiz pesando os prós e os contras se revelar totalmente equivocado?

segunda-feira, 19 de março de 2012

dois anos e pouco

Pouca coisa mudou; o que é "pouca coisa"?
Pouco é muito para muita gente; muito é pouco para bastante gente; muito pouco é muitíssimo para pouca gente; pouquíssimo é muito para tanta gente; pouco é às vezes muito para quase todo mundo; tudo é sempre pouco para muitos.
O pouco de mudanças que experimentei é pouquíssimo para muita gente, muito para pouquíssima gente, quase nada para bastante gente e,  nesse ponto, imperioso se faz mencionar que 'o meu pouco' representa muito - declaração que faço não com outro intuito que o de me convencer da verdade que tal assertiva encerra.
Quanto ao que não mudou, talvez a frase que segue - cuja autoria desconheço, pois tanto pode ser minha quanto pode constituir  um 'plágio inconsciente' - possa ilustrar: 'em reencarnação não sei se acredito, em ressurreição preciso acreditar'.






   

domingo, 7 de novembro de 2010

Estou quase bêbada. São meio-dia e vinte de domingo. Tem louça para lavar. Tem roupa para lavar. Tem um guarda-roupa para arrumar. Tenho uma vida para consertar. Estou cansada de revirar a casa para procurar as coisas. Não aguento mais guardar as coisas e esquecer onde guardei. Estou de saco cheio de andar feito um zumbi pela casa. Estou apavorada por estar na merda e, ainda assim, me sentir feliz; com certeza tal se deve aos antidepressivos. Não sei o que devo fazer. Eu não tenho vida. Eu não vivo uma vida de verdade. Minha vida sempre fica para o dia seguinte. Amanhã eu resolvo. Amanhã eu penso. Amanhã eu decido. Amanhã eu escolho. Amanhã eu faço. Amanhã eu digo. Amanhã eu telefono. Amanhã eu respondo. Amanhã eu espero o amanhã.

sábado, 6 de novembro de 2010

Dormi o dia inteiro. Estou sem um tostão. Fiz pipoca de microondas na panela e deu certo. Estou me sentindo gorda. Meu cachorro não tomou banho porque não tenho dinheiro para levá-lo na Pet Shop. Meu cartão está bloqueado. Faz muito tempo que não vou no dentista. Estou cansada de mim mesma. Às vezes me sinto feliz. Sempre esqueço dos meus problemas. Por isso não consigo resolve-los. Sinto falta da minha vida antiga. Tenho medo de não me levantar. Tenho medo de ignorar o que me incomoda. Tenho medo de mim.