domingo, 7 de novembro de 2010
Estou quase bêbada. São meio-dia e vinte de domingo. Tem louça para lavar. Tem roupa para lavar. Tem um guarda-roupa para arrumar. Tenho uma vida para consertar. Estou cansada de revirar a casa para procurar as coisas. Não aguento mais guardar as coisas e esquecer onde guardei. Estou de saco cheio de andar feito um zumbi pela casa. Estou apavorada por estar na merda e, ainda assim, me sentir feliz; com certeza tal se deve aos antidepressivos. Não sei o que devo fazer. Eu não tenho vida. Eu não vivo uma vida de verdade. Minha vida sempre fica para o dia seguinte. Amanhã eu resolvo. Amanhã eu penso. Amanhã eu decido. Amanhã eu escolho. Amanhã eu faço. Amanhã eu digo. Amanhã eu telefono. Amanhã eu respondo. Amanhã eu espero o amanhã.
sábado, 6 de novembro de 2010
Dormi o dia inteiro. Estou sem um tostão. Fiz pipoca de microondas na panela e deu certo. Estou me sentindo gorda. Meu cachorro não tomou banho porque não tenho dinheiro para levá-lo na Pet Shop. Meu cartão está bloqueado. Faz muito tempo que não vou no dentista. Estou cansada de mim mesma. Às vezes me sinto feliz. Sempre esqueço dos meus problemas. Por isso não consigo resolve-los. Sinto falta da minha vida antiga. Tenho medo de não me levantar. Tenho medo de ignorar o que me incomoda. Tenho medo de mim.
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